quarta-feira, 6 de abril de 2011

Artista plástico são-borjense entre 10 melhores do Brasil


Famoso pelo Brasil, e conhecido pelo mundo a fora, o artista plástico são-borjense, Rossini Rodrigues concedeu entrevista exclusiva para a equipe de reportagem do informe 'João de Barro'.

Autodidata, Rossini iniciou na juventude seus trabalhos com argila, encontrou nas formas arredondadas das mulheres são-borjenses a inspiração para as primeiras esculturas, hoje trabalha com figuras e mitos da região missioneira: índios guaranis, santos missioneiros, peões, tropeiros, presépios, lavadeiras, bolichos, o dia-a-dia na fronteira oeste.

JB: Há quanto tempo você realiza este trabalho com esculturas?
Rossini: Profissionalmente, faz 23 anos aproximadamente. Comecei em 1988. Eu trabalhei com carteira assinada, como um cara normal (risos) num depósito de bebidas. No entanto, nessa época eu já fazia alguns trabalhos e participava de mostras. Foi quando um amigo meu me perguntou quanto eu ganhava trabalhando no depósito e eu disse que ganhava um salário mínimo. Esse amigo, então, me disse que me dava um salário mínimo pra fazer esculturas, eu aceitei na hora e pedi minhas contas do outro emprego.
JB: Além desse trabalho com esculturas, você realiza algum outro tipo de trabalho?
Rossini: O meu ganho de vida é a escultura, a arte. Posso dizer que sou um cara privilegiado.

JB: Então, pode-se dizer que esses trabalhos são comercializados?
Rossini: Sim, todos eles, no Brasil todo e inclusive para o exterior.

JB: Como é feita a divulgação do teu trabalho?
Rossini: Eu não faço propaganda, pois o “merchandising” é o próprio trabalho. Existem algumas publicações a respeito da minha arte no Brasil e na Argentina. Outro fator importante no reconhecimento do meu trabalho e que também ajudou a divulgar foi eu ter ficado entre 10 melhores do Brasil, com a obra “O Bolicho”, em uma mostra da UNESCO sobre os povos da América Latina, que ocorreu na Bahia.

JB: E aqui em São Borja, como é realizado o trabalho de comercialização das obras?
Rossini: Eu tenho um ponto de venda e também vendo as peças aqui no atelier. Agora eu ando mais “chique” (risos) e tenho feito as peças com agendamento, porque não tenho conseguido dar vencimento nos pedidos. Quem quer comprar as minhas obras tem feito encomenda com antecedência.

JB: As peças que as pessoas encomendam podem ser sobre qualquer tema?
Rossini: Sim, mas o que mais comercializo são peças feitas com moldes, que são numeradas geralmente até 60. Também existem as peças únicas, como as de madeira que não tem como fazer cópias.

JB: Quais os materiais usados para fazer as esculturas?
Rossini: Eu trabalho principalmente com argila. Trabalho também com resina e já fiz vários trabalhos em bronze e em madeira, além de outros materiais, como pedra.

JB: Como é o reconhecimento do seu trabalho aqui em São Borja?
Rossini: Aqui em São Borja o pessoal me apóia bastante e eu me sinto um privilegiado, porque consigo sustentar minha família com o meu trabalho. Quando eu comecei, as pessoas me perguntavam “Bah! Que escultura é essa?” ou “Que bonequinho é esse?”, mas hoje está bem melhor.

JB: Qual o maior trabalho, dentre as suas obras, já realizado?
Rossini: Geralmente as pessoas me perguntam qual o meu melhor trabalho e eu sempre digo que é uma escultura em bronze dos irmãos Bertussi, que está no memorial dos Bertussi, em Bento Gonçalves.

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