Quando se une arte com funcionalidade, nasce aí um produto de valor maior. Não em termos de dinheiro; o verdadeiro significado da arte – as ideias, sentimentos e sensações transmitidas pela obra – não tem preço. Corre pelo meio artístico a ideia de que “o artista deposita um pedaço da sua alma em cada trabalho”. Esse é o diferencial do artesanato: a criação de um produto único, sem a uniformidade fria do que é produzido em série.
A palavra “artesanal” remete a algo trabalhado minuciosamente feito com carinho, sem deixar de ser útil. Mas às vezes a beleza da obra é tanta que sua utilidade fica dispersa... Como a casinha do joão-de-barro: ficamos tão maravilhados com esse sutil trabalho da natureza que esquecemos que se trata de uma casa, simplesmente.
Mesmo assim, é notável a presença do setor artesanal no mercado. Esculturas, pinturas, acessórios e confecções movimentam a economia e sustentam famílias pelo país. Praticamente toda cidade brasileira oferece regularmente exposições e feiras de arte popular, que promovem cultura além da já observada movimentação financeira.
Esta edição de João-de-Barro traz exemplos disso: nas matérias principais, você confere entrevistas e informações sobre esse setor que há tempos mostra a sua relevância cultural, seja representado por artistas independentes, seja representado por cooperativas e associações.
Boa leitura!
Dhouglas Castro
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Lã dos pampas, lã da moda; Lã Pura
A Cooperativa Lã Pura conta hoje com 28 sócias. A maioria delas trabalha em suas casas, mas oito delas produzem sua arte na loja/sede da associação, que fica no número1784 da Rua General Serafim Dornelles Vargas. Quando chegamos ao ateliê quatro destas estavam reunidas: Evanir Kroth, Ivone Hamerski, Gema Maria Frizon e Eva Eli Kuffner. O movimento era intenso, já era meia tarde e até o final do dia os produtos que seriam enviados para a banca do SEBRAE no Mercado Público de Porto Alegre ainda não estavam todos conferidos.
Na lista de produtos ainda estão bolsas, coletes, mantas, casacos de lã, bijuterias fabricadas com crinas de cavalo... somando mais de uma centena de itens. A captação de clientes ocorre com a exposição em feiras de grande porte. Elas possuem um calendário de eventos em que a presença deve ser obrigatória. Lamentam não terem conseguido participar do Rio Fashion Week este ano, já que eram assíduas freqüentadoras desde a fundação da cooperativa. Além desta, estão na lista a Feira de Turismo do RJ, a Paralela de SP e a Feira Contemporânea da Agricultura Familiar, realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Nos primeiros tempos a produção era focada para a indumentária gaúcha, com os típicos palas e demais adereços. Não havia a perspectiva de começar uma produção voltada para o mundo da moda. E como caiu bem essa mudança de rumos. Costuras retas e cores discretas foram dando lugar a amarrações ousadas, de cores chamativas. Para isso trabalhos de designers foram requisitados, criações foram surgindo. As peças são de uma beleza única e possuem algo que se preza muito atualmente: a exclusividade. Não sou eu, é o reconhecimento do mercado que afirma isso.
Para o próximo mês está programada uma viagem para a Bahia, onde parece haver uma proposta de encomenda de grandes proporções que está sendo intermediada pelo COOPERUNI, com a qual a cooperativa tem vínculos. Fora esta, continuam a chegar as encomendas pela internet, o meio mais usado para contato. Dona Eva faz questão de enfatizar: “Toda a coleção pode ser conferida no site (www.lapura.com.br), não se esqueçam de colocar isso”.
Artista plástico são-borjense entre 10 melhores do Brasil

Famoso pelo Brasil, e conhecido pelo mundo a fora, o artista plástico são-borjense, Rossini Rodrigues concedeu entrevista exclusiva para a equipe de reportagem do informe 'João de Barro'.
Autodidata, Rossini iniciou na juventude seus trabalhos com argila, encontrou nas formas arredondadas das mulheres são-borjenses a inspiração para as primeiras esculturas, hoje trabalha com figuras e mitos da região missioneira: índios guaranis, santos missioneiros, peões, tropeiros, presépios, lavadeiras, bolichos, o dia-a-dia na fronteira oeste.
JB: Há quanto tempo você realiza este trabalho com esculturas?
Rossini: Profissionalmente, faz 23 anos aproximadamente. Comecei em 1988. Eu trabalhei com carteira assinada, como um cara normal (risos) num depósito de bebidas. No entanto, nessa época eu já fazia alguns trabalhos e participava de mostras. Foi quando um amigo meu me perguntou quanto eu ganhava trabalhando no depósito e eu disse que ganhava um salário mínimo. Esse amigo, então, me disse que me dava um salário mínimo pra fazer esculturas, eu aceitei na hora e pedi minhas contas do outro emprego.
JB: Além desse trabalho com esculturas, você realiza algum outro tipo de trabalho?
Rossini: O meu ganho de vida é a escultura, a arte. Posso dizer que sou um cara privilegiado.
JB: Então, pode-se dizer que esses trabalhos são comercializados?
Rossini: Sim, todos eles, no Brasil todo e inclusive para o exterior.
JB: Como é feita a divulgação do teu trabalho?
Rossini: Eu não faço propaganda, pois o “merchandising” é o próprio trabalho. Existem algumas publicações a respeito da minha arte no Brasil e na Argentina. Outro fator importante no reconhecimento do meu trabalho e que também ajudou a divulgar foi eu ter ficado entre 10 melhores do Brasil, com a obra “O Bolicho”, em uma mostra da UNESCO sobre os povos da América Latina, que ocorreu na Bahia.
JB: E aqui em São Borja, como é realizado o trabalho de comercialização das obras?
Rossini: Eu tenho um ponto de venda e também vendo as peças aqui no atelier. Agora eu ando mais “chique” (risos) e tenho feito as peças com agendamento, porque não tenho conseguido dar vencimento nos pedidos. Quem quer comprar as minhas obras tem feito encomenda com antecedência.
JB: As peças que as pessoas encomendam podem ser sobre qualquer tema?
Rossini: Sim, mas o que mais comercializo são peças feitas com moldes, que são numeradas geralmente até 60. Também existem as peças únicas, como as de madeira que não tem como fazer cópias.
JB: Quais os materiais usados para fazer as esculturas?
Rossini: Eu trabalho principalmente com argila. Trabalho também com resina e já fiz vários trabalhos em bronze e em madeira, além de outros materiais, como pedra.
JB: Como é o reconhecimento do seu trabalho aqui em São Borja?
Rossini: Aqui em São Borja o pessoal me apóia bastante e eu me sinto um privilegiado, porque consigo sustentar minha família com o meu trabalho. Quando eu comecei, as pessoas me perguntavam “Bah! Que escultura é essa?” ou “Que bonequinho é esse?”, mas hoje está bem melhor.
JB: Qual o maior trabalho, dentre as suas obras, já realizado?
Rossini: Geralmente as pessoas me perguntam qual o meu melhor trabalho e eu sempre digo que é uma escultura em bronze dos irmãos Bertussi, que está no memorial dos Bertussi, em Bento Gonçalves.
Autodidata, Rossini iniciou na juventude seus trabalhos com argila, encontrou nas formas arredondadas das mulheres são-borjenses a inspiração para as primeiras esculturas, hoje trabalha com figuras e mitos da região missioneira: índios guaranis, santos missioneiros, peões, tropeiros, presépios, lavadeiras, bolichos, o dia-a-dia na fronteira oeste.
JB: Há quanto tempo você realiza este trabalho com esculturas?
Rossini: Profissionalmente, faz 23 anos aproximadamente. Comecei em 1988. Eu trabalhei com carteira assinada, como um cara normal (risos) num depósito de bebidas. No entanto, nessa época eu já fazia alguns trabalhos e participava de mostras. Foi quando um amigo meu me perguntou quanto eu ganhava trabalhando no depósito e eu disse que ganhava um salário mínimo. Esse amigo, então, me disse que me dava um salário mínimo pra fazer esculturas, eu aceitei na hora e pedi minhas contas do outro emprego.
JB: Além desse trabalho com esculturas, você realiza algum outro tipo de trabalho?
Rossini: O meu ganho de vida é a escultura, a arte. Posso dizer que sou um cara privilegiado.
JB: Então, pode-se dizer que esses trabalhos são comercializados?
Rossini: Sim, todos eles, no Brasil todo e inclusive para o exterior.
JB: Como é feita a divulgação do teu trabalho?
Rossini: Eu não faço propaganda, pois o “merchandising” é o próprio trabalho. Existem algumas publicações a respeito da minha arte no Brasil e na Argentina. Outro fator importante no reconhecimento do meu trabalho e que também ajudou a divulgar foi eu ter ficado entre 10 melhores do Brasil, com a obra “O Bolicho”, em uma mostra da UNESCO sobre os povos da América Latina, que ocorreu na Bahia.
JB: E aqui em São Borja, como é realizado o trabalho de comercialização das obras?
Rossini: Eu tenho um ponto de venda e também vendo as peças aqui no atelier. Agora eu ando mais “chique” (risos) e tenho feito as peças com agendamento, porque não tenho conseguido dar vencimento nos pedidos. Quem quer comprar as minhas obras tem feito encomenda com antecedência.
JB: As peças que as pessoas encomendam podem ser sobre qualquer tema?
Rossini: Sim, mas o que mais comercializo são peças feitas com moldes, que são numeradas geralmente até 60. Também existem as peças únicas, como as de madeira que não tem como fazer cópias.
JB: Quais os materiais usados para fazer as esculturas?
Rossini: Eu trabalho principalmente com argila. Trabalho também com resina e já fiz vários trabalhos em bronze e em madeira, além de outros materiais, como pedra.
JB: Como é o reconhecimento do seu trabalho aqui em São Borja?

Rossini: Aqui em São Borja o pessoal me apóia bastante e eu me sinto um privilegiado, porque consigo sustentar minha família com o meu trabalho. Quando eu comecei, as pessoas me perguntavam “Bah! Que escultura é essa?” ou “Que bonequinho é esse?”, mas hoje está bem melhor.
JB: Qual o maior trabalho, dentre as suas obras, já realizado?
Rossini: Geralmente as pessoas me perguntam qual o meu melhor trabalho e eu sempre digo que é uma escultura em bronze dos irmãos Bertussi, que está no memorial dos Bertussi, em Bento Gonçalves.
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